| • Entre as novidades, traz dados sobre o mercado de trabalho e a mobilidade de profissionais em TI e sobre as atividades de software e serviços de TI realizadas em diversas unidades da federação • Déficit de profissionais em TI poderá chegar a 280 mil até 2020, acarretando perda elevada de receita, alerta o estudo Por Karen Kornilovicz Em solenidade realizada hoje em Brasília e que contou com as presenças do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, e do Secretário de Política de Informática, Virgílio Almeida, entre outras autoridades, a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (www.softex.br) lançou o segundo volume do estudo “Software e Serviços de TI: A Indústria Brasileira em Perspectiva”, um trabalho inédito, pioneiro e abrangente que aborda em detalhes o setor de software e serviços de TI no Brasil em suas diversas dimensões, como desempenho, inovação, recursos humanos e regionalidade. Também participaram do evento Rubén Delgado e Arnaldo Bacha, respectivamente presidente e vice-presidente executivo da SOFTEX.
O estudo emprega metodologia própria e propõe novos conceitos e novas terminologias, tais como IBSS*, NIBSS*, PROFSSs* e VRProfss*, criadas pelo Observatório SOFTEX, unidade de estudos e pesquisas da SOFTEX, com o intuito de ampliar as ferramentas disponíveis para análise e conhecimento sobre o setor. O ponto de partida são dados e informações provenientes de fontes oficiais, incluindo tabelas especiais de pesquisas do IBGE, com o qual a SOFTEX mantém convênio de cooperação técnica.
A periodicidade do levantamento de dados pelas fontes permitiu a criação de séries históricas. O primeiro volume da publicação abrangeu o período 2003 a 2006; o segundo amplia a série, tratando do período 2003 a 2010.
Contando com o apoio financeiro do MCTI e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para a sua elaboração, o segundo volume é composto por seis partes: a indústria brasileira de software e serviços de TI (IBSS); as atividades de software e serviços de TI realizadas fora da IBSS (NIBSS); capacitação e competências para o setor de software e serviços de TI; cenários, projeções e mobilidade de PROFSSs; recursos humanos em TI; e estudos regionais.
Além de dar continuidade a temas já tratados na primeira publicação, lançada em 2009, esta edição traz muitas novidades, entre elas análises sobre o mercado de trabalho, a mobilidade de profissionais de TI e estudos regionais abrangendo seis unidades da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“Com o lançamento deste novo volume, oferecemos às instituições públicas e privadas dados fundamentais para apoio na tomada de decisões e na implementação de políticas setoriais. Desta forma, será possível traçar com mais precisão estratégias eficazes para a promoção e o desenvolvimento da indústria brasileira de software e serviços de TI”, avalia Arnaldo Bacha, vice-presidente executivo da SOFTEX.
A seguir, alguns dados e informações constantes da publicação, que utilizou como base os valores referentes ao ano de 2010.
A Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI (IBSS) R$ 71,6 bilhões e 600 mil pessoas ocupadas em 2012 – Até o final de 2012, a IBSS contará com cerca de 73 mil empresas. A receita líquida será de R$ 71,6 bilhões, com crescimento, em termos reais, no período 2003 a 2009, de 8,2% ao ano. De 2003 a 2009, o total de pessoas ocupadas na IBSS cresceu em média 10,1% ao ano. Se mantido esse crescimento, ela contará, ao final deste ano, com quase 600 mil pessoas, entre sócios e assalariados. O número de ocupados cresce, sobretudo, entre as empresas com 19 ou menos pessoas ocupadas.
Queda na taxa de inovação - A Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC/IBGE) considerou as 4.160 empresas da IBSS com 10 ou mais pessoas ocupadas. Esse conjunto de empresas representou, em 2008, 6,3% do universo da IBSS, respondendo por 77,6% do total da receita líquida. Considerando o período 2006 a 2008, a taxa de inovação foi de 48,2%, uma queda de 9,4 pontos percentuais (p.p.) em relação à verificada no período anterior (2003 a 2005).
“A queda na taxa de inovação ocorre em conjuntos de empresas de diferentes portes, sendo elevada, sobretudo, naquele constituído por companhias com 500 ou mais pessoas ocupadas. Mesmo assim, é nesta faixa de porte que se verificam as maiores taxas de inovação em produto e processo”, diz Virgínia Duarte, gerente do Observatório SOFTEX, acrescentando que em 2008, as empresas investiram R$ 1,6 bilhão em inovação, o que correspondeu a 3,1% do total da receita líquida da IBSS no ano em questão. “Esse percentual é inferior ao observado em 2005, que foi de 5,2%”, complementa.
Os diferentes programas de governo beneficiaram 15,4% das empresas da IBSS que realizaram inovações no período 2006 a 2008. Comparativamente ao período anterior, houve um pequeno aumento no total de companhias beneficiadas. A opção “outros programas de apoio”, que inclui concessão de bolsas pelas fundações de amparo à pesquisa e aporte de capital de risco, continua sendo a mais indicada pelas empresas.
Atividades de software e serviços de TI realizadas fora da IBSS (NIBSS) NIBSS é responsável por parte significativa de empregos - Uma forma de se estimar o valor total das atividades de software e serviços de TI é através do monitoramento dos profissionais assalariados exercendo ocupações mais diretamente relacionadas com software e serviços de TI (PROFSSs). “Partimos da seguinte permissa: quanto maior a presença de PROFSSs, maior a realização de atividades in house envolvendo software e serviços de TI”, pondera Virgínia Duarte.
Em 2010, foram 364.249 PROFSSs empregados na NIBSS, número 2,3 vezes maior do que os 156.418 profissionais na IBSS, no mesmo ano. De 2003 a 2010, a taxa média anual de crescimento do número de PROFSSs na NIBSS foi de 5,1% a.a. No mesmo período, o crescimento anual manteve-se próximo ao verificado para o total de vínculos empregatícios na NIBSS (5,8%), mas foi bem inferior ao observado para o número de profissionais empregados na IBSS (13,3%). Na NIBSS, os profissionais concentram-se, sobretudo, nas empresas de grande porte, com 100 ou mais vínculos empregatícios.
R$ 43,7 bilhões em atividades de software e serviços de TI realizadas in house – No período 2003 a 2008, o VRProfssTotal da NIBSS cresceu, em média, em termos reais, 3,6% a.a. Considerando essa taxa de crescimento, em 2012, o VRProfssTotal alcançará R$ 43,7 bilhões. Criado pelo Observatório SOFTEX, esse indicador estima quanto as atividades de software e serviços de TI realizadas por PROFSSs empregados na NIBSS poderiam gerar em receita para a IBSS, caso estas atividades fossem terceirizadas.
Capacitação e competências para o setor de software e serviços de TI 35 mil alunos concluindo cursos de nível superior – Em 2008, 6,1% do total de ingressantes em cursos de graduação do País o fizeram em áreas de cursos de interesse elevado para o setor de software e serviços de TI, tais como Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Processamento da Informação. “Estimamos que cerca de 35 mil alunos concluirão cursos de graduação em áreas essenciais para o setor em 2012, sendo que mais da metade destes serão formados em instituições de ensino localizadas na região Sudeste”, detalha a gerente do Observatório SOFTEX.
30 mil alunos concluindo cursos técnicos profissionalizantes de nível médio - Os cursos técnicos profissionalizantes de nível médio registraram em 2010 um total de 140 mil estudantes matriculados em cursos mais diretamente relacionados com software e serviços de TI, pertencentes ao eixo informação e comunicação. Estima-se que, em 2012, 30 mil estudantes irão completar esses cursos, sendo que mais da metade em instituições de ensino localizadas na Região Sudeste.
Competências em diferentes áreas do conhecimento em Computação – O número de concluintes de cursos de mestrado, doutorado e mestrado profissionalizante na área de Ciência da Computação cresceu de modo significativo de 1996 a 2009: foram mais de 10.000 pós-graduados no período, gerando competências em diferentes áreas do conhecimento em Computação.
Cenários e projeções e mobilidade Déficit de 280 mil PROFSSs em 2020, perda de R$ 115,4 bilhões em receita - Segundo estimativa do Observatório SOFTEX, em 2020, mantidas as condições atuais de crescimento de receita, produtividade e capacidade de contratação de pessoal, haverá um déficit de 280 mil PROFSSs. “O estudo indica a importância de se rever este quadro de escassez de mão de obra, que pode vir a ter um custo elevado. Considerada apenas a parcela de riqueza gerada por PROFSSs, em um período de 12 anos (2009 a 2020), a perda da receita líquida pode atingir R$ 115,4 bilhões”, diz Virgínia Duarte.
Faixa salarial de 2 a 5 salários mínimos é divisor de águas – A faixa salarial de 2 a 5 salários mínimos é divisor de águas na carreira do profissional de TI. Nesta faixa de remuneração se tem o maior percentual de profissionais que mudam de faixa salarial, subindo ou descendo. Para cada profissional que sai do mercado nesta faixa salarial, mais de quatro são contratados.
Entradas e saídas – Considerando média para o período 2004 a 2009, na IBSS, para cada PROFSS que sai do mercado formal de trabalho, 2,1 são admitidos. Na NIBSS, para cada um que sai, 1,3 é admitido.
Mobilidade geográfica – O estudo de mobilidade geográfica considerou a movimentação de PROFSSs em unidades da federação (UFs) selecionadas: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Distrito Federal, no período 2004 a 2009. Na média, para o período 2004 a 2009, 80,9% dos profissionais mantiveram-se na mesma UF de um ano para o outro.
Cai a busca por primeiro emprego – Ao longo dos anos, observa-se redução na participação das contratações de primeiro emprego no estoque total de PROFSSs (5,0%, em 2004, e 3,9%, em 2009) da IBSS. Esse é um indicativo de que a IBSS tem privilegiado a contratação de profissionais com passagem prévia pelo mundo do trabalho, provavelmente na busca de contar com pessoal com um nível maior de competências técnicas e soft skills.
Na IBSS, é baixa a taxa de sobrevivência dos PROFSSs – Considerando o total de PROFSSs empregados na IBSS em 2004, apenas algo em torno de 35% deste contingente continuava como PROFSSs na IBSS em 2009. As taxas de sobrevivência encontradas para profissionais de primeiro emprego são 20% mais baixas, uma evidência de que a filtragem dos profissionais e decisões destes quanto ao futuro no mercado formal de trabalho propiciado pela IBSS tende a ocorrer, sobretudo, nos primeiros anos de carreira. Recursos humanos em TI Número de PROFSSs com perfil NS cresce a taxas expressivas – O número de PROFSSs com perfil NS (engenheiros em computação; administradores de redes, sistemas e banco de dados; e analistas de sistemas computacionais) cresce a taxa expressiva no período 2003 a 2010, superior à verificada para o aumento de profissional com perfil NT (técnicos e operadores). Isso ocorre na IBSS e na NIBSS. No entanto, a despeito do ganho de participação das ocupações do tipo NS, percebe-se redução do nível de escolaridade dos profissionais enquadrados na categoria.
Cresce demanda por profissionais com superior incompleto – A participação de PROFSSs com nível de escolaridade superior incompleto no total de PROFSSs empregados na IBSS praticamente dobra ao longo do período 2003 a 2009. Redução da remuneração média - Na IBSS e na NIBSS, ao longo do período 2003 a 2010, observa-se tendência à queda da remuneração média de PROFSSs enquadrados em ocupações com perfil NG (diretores e gerentes) e NS (engenheiros, analistas e administradores).
Dados regionais e estaduais Concentração da IBSS em algumas poucas unidades da federação - Em 2008, seis unidades da federação – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - responderam por 86,7% do número total de empresas da IBSS; mais da metade, tem sede no Estado de São Paulo. De 2007 a 2008, o número de empresas localizadas em São Paulo cresceu 13,1%, percentual acima da média verificada para o conjunto dos demais estados (11,7%).
Concentração da IBSS em alguns poucos municípios – A IBSS também se encontra fortemente concentrada em alguns poucos municípios, em geral, na capital e no seu entorno.
Os interessados em obter um exemplar do segundo volume do estudo “Software e Serviços de TI: A Indústria Brasileira em Perspectiva” devem acessar o endereço http://publicacao.observatorio.softex.br/_publicacoes/ * IBSS - Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI * NIBSS - atividades de software e serviços de TI realizadas fora da IBSS * PROFSSs - profissionais assalariados exercendo ocupações mais diretamente relacionadas com software e serviços de TI * VRProfss - indicador que estima quanto as atividades de software e serviços de TI realizadas por PROFSSs empregados na NIBSS poderiam gerar em receita para a IBSS, caso estas atividades fossem terceirizadas |